Piratas de Gravata

Sem destino, sem terra à vista.

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Sobre a tristeza da véspera de natal.

O mundo nunca esteve tão estranho. E não é só o mundo, não. Eu também ando estranha pra burro. Pra começar, eu nem devia estar escrevendo nada nesse blog que, de tão empoeirado, já virou ninho pras aranhas da inércia e do ócio. E depois, eu também não ando muito certa das ideias esses dias, o que acaba me fazendo ter certeza de que nada do que eu disser soará totalmente coerente, conexo, seja lá que diabos de palavra isso possa receber. Acontece que hoje eu tô precisando deixar meus pensamentos passarem pelo transformador da minha mente. Preciso concatená-los num compêndio inútil - e incoerente - de palavras. E é isso que eu vim fazer nesse blog que não visito há séculos (e que provavelmente ninguém mais visita).

Então é natal. 

O ciclo da inutilidade humana dá fim a mais um ano... Nas ruas, as inúmeras e enormes árvores cheias de penduricalhos natalinos, com suas luzes, sua simbologia, seus presentes guardados debaixo dos galhos, dão vida à fantasia dos pinheiros europeus. As pessoas abarrotam as lojas pra comprar suas porcarias, devaneiam sobre o peru que irão assar ou sobre aquela receita de pudim que vão fazer pra sobremesa durante a ceia; recebem e enviam cartões de "bons votos" pra indivíduos que nunca viram. Compram roupas, sapatos novos, mudam o cabelo, compram uma nova tevê pra ver o Show da Virada na Globo. Tudo continua a mesma coisa. Aí vem o dia 31 de dezembro e, com ele, a mística aura de "mudança" que o fim de ano traz consigo. Nós fazemos planos. Escondidos dos amigos e dos parentes, escrevemos a "lista" de metas a serem alcançadas no ano seguinte. Suspiramos, emocionados, cheios de esperança, crendo que o próximo ano vai trazer alguma coisa boa. Alguma quebra de rotina. Algo que nos faça acreditar que, afinal de contas, a vida tem mesmo um sentido, e as coisas, no fim, terminam bem.

          O problema é que eu to pessimista. Diabos, eu não queria estar assim. O natal, geralmente, me trazia coisas boas. Aquele sentimento incrível de me reunir com pessoas queridas em torno da mesa e saber que dali a alguns dias, como o ano novo que viria, eu iria achar um novo rumo, viver novos amores, crer em novos deuses, sentir novas emoções, provar novos gostos, ver novos lugares. Viver mais. Não me sinto assim. To enjoada, na verdade. A árvore de natal mais me parece um pinheiro sem graça que não desperta o menor interesse. A mensagem a respeito do "aniversário de Cristo" também não faz muito sentido, tenho passado por sérias crises de convicções espirituais... As pessoas com suas hipocrisias - hipocrisias que eu considerava respeitáveis um tempo atrás - me causam repulsa, e o máximo que eu faço quando alguém me cumprimenta com felicitações natalinas é dar um riso morno, sem vontade.
       To com medo. Não quero continuar assim pra sempre, sabe? E eu sei que as coisas mudam. Certamente essa fase vai passar também, como todas as outras passaram... Mas tem uma espécie de diabozinho filho da mãe sentado no meu ombro, sussurrando que não vai passar, não. E eu vou continuar assim, com meus sentidos de certa forma adormecidos. Nunca senti nada parecido com isso nos últimos tempos... E caso você se pergunte o que é, afinal, eu respondo: nada. Um sentimento de vazio, de inquietude... É isso, no fim das contas. Não consigo me situar.
         Esse foi um ano difícil, definitivamente. Ruptura, aproximação, perdas, vitórias, lágrimas em maior proporção que risadas. Conheci pessoas incríveis, outras dignas do meu profundo desprezo. Me conheci melhor. Comi bobagens, engordei, emagreci, dei boas risadas. Escrevi algumas músicas, descobri novos talentos, comecei a achar que perdi outros... Me desapaixonei profundamente por algumas pessoas que antes me faziam nutir o melhor e mais estimado sentimento. Assisti algumas mudanças complicadas. Mas to inteira. Os pedacinhos do meu rosto e coração, quebrados, tão aqui, coitados, prontos pra serem colados de novo.           Só to cansada, sabe?
       De esperar da vida uma mudança que, caramba, uma mudança que só pode vir de mim. Não suporto a ideia de que o ano que vem pode ser pior - ou parecido - com esse. É terrível demais. Quero viver algo que me tire dos eixos, que tire meu corpo dos trilhos, que chacoalhe minhas ideias, que mude meu jeito de encarar o mundo, que me apaixone novamente pelas coisas bobas da vida que antes me despertavam tanto interesse. Quero me mudar, me apaixonar de novo, arrumar um emprego, escrever um romance, colocar minhas músicas na internet, fazer mais amigos, reconquistar os antigos, dar mais risadas, ir mais à praia, comer mais bobagem, comer menos bobagem... Ser feliz. E eu sei que nenhum ano-novo vai fazer isso tudo. É uma mudança que eu preciso decidir fazer. Por mim.
        Acho que o melhor presente que eu posso dar a mim mesma, dessa vez, é respeito. Numa caixa de alegria, pra variar. To precisando de espaço. Pra respirar. Pra me situar. Sei lá pra quê, afinal. Não quero magoar mais ninguém, Deus do céu, não quero mais me magoar. Só quero um ano bom. Um ano pra não fazer planos, e sim concretizá-los. Um ano pra não afastar ninguém, mas aproximar pessoas. Um ano pra chorar, sim, mas de alegria, e, nos inevitáveis momentos de tristeza, ter orgulho das lágrimas que eu derramar. Quero um ano pra me sentir bem com minha vida, com as coisas que eu faço, os amigos que tenho, a carreira que vou seguir. Um ano bom, pelo amor de Deus.No fim das contas, só preciso que essa tristeza passe. Só preciso que as coisas se ajeitem, que façam mais sentido. E quanto mais penso nisso, mas tenho a certeza: quem precisa fazer sentido sou eu.
Touché.
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Sentimento de sei lá.

       Não sei o que me deu hoje. Acordei ácida. Seca. Zangada.
       A primeira coisa que senti ao pôr os pés no chão foi uma espécie de tristeza profunda, sem motivo. E, pelo amor de Deus, não me pergunte o que era, porque nem eu mesma sei. Aliás, ando muito não-sabendo ultimamente, como se na verdade eu soubesse, mas não quisesse admitir. Sei, não faz sentido algum, e eu nem peço que faça. Só achei necessário abrir esse computador e colocar tudo isso pra fora. Eu bem que gostaria de ter uma gaveta com milhões de nomes pra dar às minhas sensações. Assim, quando eu estivesse com dúvidas sobre como chamá-las, abriria a gaveta e iria tirar um nome qualquer pra colocar no que quer que eu estivesse sentindo.
      Uma vez, quando eu era menor e o mundo era bem menos complicado, li um livro engraçado, cujo nome deve ter se perdido nas vielas da minha memória, onde um dos personagens, quando se sentia triste, dizia estar sentindo uma blusolideza, espécie de solidão com cansaço e tristeza.
       Talvez eu esteja assim. Apenas talvez.
       Sabe quando você se sente cansado e daria tudo - até mesmo aquela adorável coleção de CD's do Johnny Cash - por uma viagem pra qualquer lugar onde você pudesse respirar melhor e rir sozinho, de si mesmo e consigo mesmo? Eu to assim, eu acho. Querendo o mundo inteiro, ao mesmo tempo, na minha mão. Podia ser qualquer lugar, juro - desde o topo do Big Beng, até uma cabana num lugar frio e gelado no norte de qualquer país gelado, onde eu pudesse esquentar um café - mesmo que meu café seja uma porcaria, cá entre nós - e ler qualquer coisa, como uma historinha do Batman e Robin.
     Aí eu ligaria algum cd do Wilco e fecharia os olhos. Tudo faria mais sentido. 
     Seria bom ter uma forma de evaporar ou me teletransportar pra algum lugar assim, distante de todos e mais próximo de mim. Seria bom, também, ter uma forma pronta de encerrar esse texto meio incoerente. Mas não sei e nem posso fazer nem um, nem outro. Só posso suspirar e esperar me sentir, de alguma forma, melhor amanhã.
    Tomara.

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Oi. De novo.

                          Faz tempo, hein. E como faz. 
Lembro da última vez que escrevi aqui. Eu tava confusa e com medo. Hoje já nem sei como me sinto, e como me sinto, sabe. Sobre tudo. Só sei que precisava escrever de novo... Aqui. 
        Senti saudade desse pedaço de casa que é só meu, e no qual eu fazia o que queria, como queria e quando queria. Senti saudade de escrever besteira, de escrever sem pensar e pensar muito antes de escrever qualquer coisa. Saudade de ser lida por quem queria mesmo ler qualquer coisa sobre mim, e no fim das contas, me sentir melhor após um ou outro desabafo que eu fazia nas linhas dos tantos textos que se perderam nos arquivos desse lugarzinho quente, com cheiro de canela, que é tão meu, e tem tanto de mim. 
Não sei se ainda há alguém atrás do ecrã do computador - quem quer que seja - que me lê agora. E nem peço que haja alguém. Só peço que, se houver, entenda que eventualmente meus pensamentos não sairão bem ordenados... Coerentes, certinhos. Não sou coerente, e não poderia exigir que meus pensamentos também o fossem. Só posso pedir que, se há alguém lendo essas linhas, que apenas leia, e no fim da leitura, me abrace apertado, me pague um café e me ponha pra dormir. Sem me julgar. Sem me fazer críticas.
          Preciso confessar que andei fazendo bobagens. E como é bom fazer besteiras... Eu havia esquecido a sensação. Me faz parecer mais viva. Li alguns textos antigos e ri. Chorei. Fiz caretas. Fiquei com vergonha. Há dois anos - ou mais, ou menos, tanto faz - eu criei esse blog e nunca pensei que ele seria tão importante pra mim. Desde que abandonei esse lugar tão aconchegante, muitas coisas aconteceram.
          Me apaixonei. 
       Chorei. Desapaixonei. Ri. Fiquei sozinha. Estive com as melhores companhias. Briguei comigo e me amei. Fiz besteiras, tantas besteiras. Mas a melhor parte de tudo é que eu cresci. Não digo fisicamente porque... Bem, meus recém-completos 18 anos não me permitem mais desenvolver tanta altura. Mas cresci por dentro, sabe. Um crescimento um pouco doloroso, admito. Mas que, no fim das contas, me ajudou a ficar menos boba. Ou não.
      Amadureci. E que bom que isso aconteceu. To aprendendo melhor a medir o que sinto, a ponderar melhor o que falo e, sobretudo, a sentir sentimentos - e me desculpe a redundância - com mais força, com mais intensidade. To aprendendo a controlar e amansar o meu ego, que vez ou outra tenta crescer e se inflar dentro do peito. De certo modo, não sei se crescer foi ou não uma coisa boa, porque, no fim das contas, aprendi a medir o que falo, e isso pode, muitas vezes, me fazer ficar menos sentimental. E eu gosto de ter tanto sentimento transbordando de mim. Acho que to mais séria. Mais tímida. Perdi a intimidade com as palavras... Não sei mais dizer com tanta clareza as coisas que eu penso, sinto ou quero sentir e pensar. E é agora que eu suspiro, um pouco desapontada comigo mesma.
     Não vou fazer desse texto uma espécie de divã onde eu ficarei horas e horas a falar coisas abstratas e incoerentes... Não. Sei que você deve ter algo melhor pra fazer, como, por exemplo, costurar um vestido ouvindo Wilco na varanda da sua casa, ou cozinhar qualquer coisa, como um prato árabe para o jantar.
      Eu só queria... Dizer oi de novo. Pra quem quer que seja. 
      E dizer que to de volta pra esse blog que tantas coisas boas me trouxe.
      E dizer que não vou mais deixá-lo, prometo.
      É só.

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Gostar e tentar.

É. Primeiro você sonda o terreno. Avalia. Procura pistas. Há de se andar com cuidado sobre esse terreno tão incerto, esse tal de amor. Sim, o amor é um terreno, não? Você tem que pisar com cuidado, mansinho, um passo atrás do outro cautelosamente. Tem que avaliar os limites do campo, ver se ali você pode ter sombra, ou se vai viver sob o sol intenso.... Quando finalmente conhece o terreno, as oscilações no relevo e todos os outros meros detalhes você fica receoso. É, amar tem dessas. De te deixar receoso, com medo.
Medo. Essa é uma palavra à qual tenho me habituado ou tentado me habituar nos últimos tempos. Um medo profundo, gigante, doloroso. De tudo. Mas principalmente medo da dor da perda.
Quando você finalmente sonda o terreno, conhece suas imperfeições, e os detalhes que o tornam tão único, você quer avançar. Mas sente-se inseguro, ora bolas! O terreno tem uma terra fofa, você pode tropeçar, cair no chão e se machucar enquanto anda. 
Mas olha só, ouça bem o conselho dessa inexperiente e boba pirata: essa insegurança dá em todo mundo que tenta andar nesse terreno. É normal não é mesmo?
MAS É PRECISO SE ARRISCAR. Sim, por quê não? Assumir riscos é uma delícia, no fim das contas. Te faz crescer, mesmo que eventualmente quebre a cara e ganhe um arranhão aqui ou ali. O que vale é tentar, se há sentimento. Ah, sim. O sentimento. Se há sentimento, qualquer que seja, amor, paixão, carinho, então ainda há a possibilidade do sucesso no fim da caminhada pelo terreno. Oh, céus, o que eu estou falando? Talvez não faça muito sentido agora, pra quem lê. Mas é que acordei com tanta certeza dos sentimentos que tenho dentro de mim, com tanta vontade de me arriscar, de tentar, que precisava escrever isso aqui. 
Gostar e tentar sem medo. Esse é meu lema. É no que eu acredito.
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O velho mal da saudade

Olha só, não é que eu não goste de sentir saudade. É só que dói, sabe? E eu não gosto de dor. 
É uma dorzinha fina, num ponto profundo do peito. E se chama saudade. Ela chega marota, moleca, sorrateira. Se arrasta silenciosamente pela noite, se espalha feito fumaça, suave e docemente (talvez não tão docemente). Sobre o pé da cama, se enlaça no meu corpo, invade os meus sonhos e me enche de lembranças. Aí eu acordo com cara de quem quer colo, de quem quer um abraço que seja pra afastar tanta falta.
      Lembro que quando eu era criança, não entendia muito bem quando meus pais diziam "eu sinto sua falta" um para o outro quando andavam assim, meio distantes. Como alguém pode sentir falta de outro alguém? Eu me perguntava. "Deve doer pra caramba" era o que eu sempre dizia. Eu era apenas uma menininha boba, cuja maior preocupação era a cor do vestido que a barbie ia usar no casamento com o Bob. Agora sim, alguns anos mais tarde, depois de ter me apaixonado algumas vezes e ter amado tanta gente com tanta força, eu sei, de verdade, o que é sentir falta de alguém. No fim das contas, é como sentir falta de você mesmo. Machuca. Te deixa vazio. E deixa a tarefa de dormir bastante complicada de se efetuar.
Ironicamente contraditório, sentir saudade também é um pouco bom. Te dá aquela sensação (às vezes falsa) de que você tem alguém. De que você  finalmente  tem alguém. E, olha, é tão bom, tão doce, ter alguém com quem contar. Alguém pra sentir falta, e deixar aquele gosto no peito, aquele gosto de que você ainda precisa estar perto desse alguém pra se sentir completo. Feliz.
Eu particularmente sinto mais saudade ainda quando escuto uma ou outra canção. Meu coração chega a ficar correndo dentro do peito, sempre mais acelerado, sempre pulando mais forte. 
Aí aquela música tão carregada de lembranças invade o silêncio do quarto, e junto com a voz do cantor que acompanha a melodia, vêm todas as imagens gostosas que ficaram em algum lugar no passado. Parecem tão reais! Tão reais que você pode tocá-las, se quiser. Aí você fecha os olhos com força, tenta perpetuar um pouquinho aquele momento. Você lembra dos risos, dos beijos, dos abraços, das piadas. De tudo. E só queria que finalmente algum cientista tivesse a competência de criar a tal máquina do tempo, pra que você pudesse viver tudo aquilo outra vez. E é aí que a saudade e a nostalgia se misturam como só as duas sabem fazer. É como se saudade e nostalgia estivessem fazendo amor. Um dueto perfeito. Perfeito, mas doloroso demais. Então você seca uma ou outra lágrima que eventualmente caiu de seus olhos. E se conforma. Porque sabe que, mesmo que vá embora, a saudade volta. Ah, sim. 
A saudade sempre volta.
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É no que eu acredito.

ATENÇÃO: o texto a seguir não é meu. Foi escrito pela linda da Suuu . Quando li, achei o texto muito parecido com muita coisa que eu quero dizer, mas não consigo. Talvez até consiga, mas não tenho coragem. Então, achei interessante postá-lo aqui. 

Eu sei que o texto de Alvim já é do ano passado...
Mas hoje fala-se de medos e sofrimentos e que já não se pode dar e bla bla bla...
Grande tretaaaaa...
Paremmmm !!!
Podem-me ouvir???
Não sou a sexóloga Sue , nem sou uma supra-sumo neste tema...
Mas não vamos inventar...
Quando se gosta de Alguém a sério , não se inventa desculpas....
Luta-se:)Corre-se atrás:)Manda-se sms:)
Telefona-se:)
Dança-se em qualquer sítio:)
Sente-se o coração na boca:)Fala-se sem medos:)
Brilha-se:)

Não , não existe o mas...
Medosss???
Sofrer???
Eu não quero...
Ninguém quer...
Gostar de Alguém a Sério....
É enfrentar todos os medos....
É agarrar o coração...

Estou a ser lírica???
Não acho...
É no que eu acredito:)
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:/

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Palhaço...

O palhaço encara o espelho. Do outro lado, um reflexo quieto e misterioso, profundamente calado, de um homem de rosto borrado de tinta sorri de volta. Os olhos pequenos, tão negros, outrora brilhantes e vivos, já estão quase apagados, tristonhos... Talvez ainda esperem alguma coisa que o próprio palhaço não saberia dizer.

Com as mãos enrugadas, um pouco trêmulas, ele segura a esponja do pó de arroz e dispeja nas maçãs de seu rosto aquele pó branco feito nuvem, devolvendo à pele a textura suave da alegria passada... De dentro do pequeno aposento onde o palhaço se prepara para outra grande apresentação, onde luzes fracas iluminam seu rosto, ele pode ouvir os gritos eufóricos dos que o esperam lá fora. Estava triste, é bem verdade. No peito, seu coração de palhaço batia devagar, quase sem pressa, quase parando. Levantou o olhar outra vez e se encarou. Os dedos trêmulos seguraram um pincel amarelo e molharam os lábios de um vermelho vivo, quase cegante. 
Agora estava tudo pronto para o show. Apesar de mentiroso, o palhaço sabia que ainda era, afinal, um palhaço. E palhaços sempre têm uma missão a cumprir: fazer alguém sorrir de ponta a ponta do rosto. 
Levantou cabisbaixo, encarando os dedos sujos de tinta. No espelho, seu corpo fraco e sem graça estava parado, esperando o próximo passo. Coloca em seu rosto uma máscara, e some na penumbra de um corredor escuro. E lá se vai ele, caminhando pra um lugar onde esqueça de tudo... Onde seja apenas palhaço.

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"Sei que é doloroso                        
Um palhaço se afastar do palco por alguém
Volta
Que a platéia te reclama
Sei que choras, palhaço
Por alguém que não te ama (...)
Enxuga os olhos
E me dá um abraço
Não te esqueças
Que és um palhaço
Faça a plateia gargalhar
Um palhaço não deve chora

Escrevi esse texto hoje, nem sei porquê. Apenas escrevi. Meu peito tava doendo, foi uma noite difícil. Dormi pouco, se é que dormi. Meus olhos estão um pouco cansados... Liguei o radinho bem baixo, deixei que a voz de qualquer cantor ressoasse na madrugada silenciosa e me ninasse, fizesse carinho na minha cabeça, até que o sono chegasse. Quem cantou foi Baden Powell - Palhaço. A música inteira eu chorei. E também não sei porquê. Então resolvi escrever este micro-conto, apenas por... sabe? Explicação não tem, só sei que escrevi. 
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Sometimes I feel that way too

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